A recondução de Karkaju Pataxó, representa o turismo indígena no Brasil, junto ao Conselho Nacional de Turismo para o biênio 2026-2027 representa mais do que a ocupação de um espaço institucional — simboliza o fortalecimento da presença indígena nos processos de formulação de políticas públicas estratégicas para o desenvolvimento do turismo no Brasil. Trata-se de um marco relevante na consolidação de uma agenda que reconhece os povos indígenas como protagonistas na construção de um modelo turístico mais justo, diverso e sustentável.
A participação indígena em instâncias decisórias como o Conselho Nacional de Turismo é fundamental para qualificar o debate e ampliar a compreensão sobre o papel dos territórios, das culturas e dos saberes tradicionais na estruturação do turismo brasileiro. Historicamente, os povos indígenas foram colocados à margem dessas discussões, muitas vezes retratados apenas como elementos exóticos de um imaginário turístico. Hoje, essa lógica vem sendo transformada a partir da incidência política e da afirmação de direitos, que reposicionam os povos indígenas como agentes ativos, com voz, conhecimento e propostas concretas para o setor.
O turismo indígena, especialmente em sua vertente de base comunitária, tem se consolidado como uma alternativa potente de desenvolvimento territorial sustentável. Ao articular geração de renda com valorização cultural e proteção ambiental, essa modalidade rompe com práticas predatórias e estabelece um novo paradigma: o turismo como ferramenta de fortalecimento da autonomia dos povos e de preservação da sociobiodiversidade.

Nos territórios indígenas, o turismo não se resume à visitação — ele se configura como uma experiência de troca, aprendizado e respeito. É a oportunidade de conhecer de perto modos de vida que mantêm uma relação equilibrada com a natureza, sistemas próprios de organização social, línguas, rituais, culinárias tradicionais e conhecimentos ancestrais transmitidos de geração em geração. Cada visita, quando realizada de forma responsável e alinhada aos protocolos comunitários, contribui diretamente para a valorização dessas práticas e para a sustentabilidade das comunidades.
A presença de um representante indígena no Conselho Nacional de Turismo permite que essas perspectivas sejam incorporadas às políticas públicas, promovendo diretrizes que respeitem a consulta prévia, livre e informada, conforme estabelece a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), além de incentivar investimentos em capacitação, infraestrutura adequada e estratégias de promoção que respeitem as especificidades culturais.
Ao mesmo tempo, essa representação contribui para combater distorções e práticas inadequadas no setor, como a exploração indevida de imagens, saberes e territórios indígenas sem o devido consentimento ou repartição de benefícios. O fortalecimento de um turismo ético passa necessariamente pelo reconhecimento dos direitos coletivos dos povos indígenas e pela construção de relações mais equilibradas entre visitantes e comunidades.
Para quem busca experiências autênticas, o turismo indígena no Brasil oferece muito mais do que destinos — oferece encontros transformadores. É a possibilidade de aprender com quem preserva, há milênios, conhecimentos fundamentais para o equilíbrio ambiental do planeta. É também um convite à reflexão sobre outras formas de viver, produzir e se relacionar com a natureza.
Nesse contexto, a atuação de Karkaju Pataxó no Conselho Nacional de Turismo reafirma um compromisso com a construção de pontes entre o Brasil indígena e o restante da sociedade, promovendo um turismo que respeite as diferenças, valorize a diversidade e contribua para um futuro mais sustentável.
Conhecer o turismo indígena é, antes de tudo, reconhecer o Brasil em sua essência mais profunda. É abrir-se para novas perspectivas e apoiar iniciativas que colocam a vida, a cultura e o território no centro do desenvolvimento.

