Os Jogos Indígenas Pataxó são uma forma de incentivar a prática e tornar esporte os vários tipos de modalidades de armas, brinquedos, brincadeiras, jogos e utensílios, usados no cotidiano das aldeias pelo povo Pataxó, que são estimuladas pelos professores, em sala de aula, e nas atividades preparatórias para os Jogos Indígenas, nas Escolas Pataxó. Essa prática também servirá como incentivo ao fortalecimento da identidade coletiva da etnia Os Jogos Indígenas Pataxó na cultura indígena, não se restringe às estruturas do evento, mas engloba os processos sociais, econômicos e culturais que moldam a Cultura Pataxó. Os Jogos Indígenas Pataxó são hoje um dos símbolos forte da cultura Pataxó, daí a necessidade da integração esporte/cultura na reflexão e desenvolvimento de ações que concretizem tal princípio.
As imagens do passado são como “Memória/Arquivo de identidade”, que ao longo da história dos jogos é somada à determinação dos atletas, revitalizando aspectos importantes da cultura indígena, construindo um acervo intrínseco, tanto na busca de registrar, como nas projeções de natureza simbólica. Via da arte é essencial à elaboração da identidade étnica e das representações que nela se configuram na memória dos mais velhos, dos mais jovens e para as futuras gerações.
Em cada aldeia Pataxó, existem pessoas que desenvolvem conhecimentos específicos a respeito de certas categorias ou modalidade esportivas. Há sempre alguém que sabe arremessar melhor uma lança, usar um arco ou uma zarabatana; que sabe cantar ou fabricar um instrumento musical com mais habilidade e competência; há aqueles que sabem contar histórias com riqueza de detalhes e dominam o estilo de narração. No caso dos Jogos Indígenas Pataxó, por exemplo: os atletas passam a conhecer e aprimorar as técnicas esportivas, aprendem a escolher e preparar as armas como os mais velhos que detém este conhecimento, melhoram o acabamento e a decoração. De outro lado, essas pessoas geralmente buscam aprender com os mais velhos o saber histórico e especifico do uso das técnicas e as funções dos objetos, o significado simbólico dos elementos decorativos e suas cores. São os mais velhos que conhecem todos os detalhes técnicos e os critérios estéticos para que os objetos sejam apreciados pelos membros de sua sociedade, e por intermédio dessas pessoas, que podem ser chamadas de especialistas, através deles, fazem com que os conhecimentos se renovem e se transmitam às novas gerações.
Com a aceitação dos jogos junto às comunidades e aos participantes, ficou clara a necessidade de realizar os jogos para que sirva como base de pesquisa, fonte de referência e instrumento de ensino. Para que cada visitante, leitor, atleta e futuros participantes possam absorver a real característica dos jogos, que é a celebração da cultura e não uma competição onde haja ganhadores e perdedores, em que esses benefícios são percebidos num curto prazo. Graças aos processos de pesquisas nas aldeias podemos atribuir o resultado desse evento em sua íntegra aos professores, coordenadores, lideranças e pesquisadores não índios e pesquisadores indígenas Pataxó que juntaram esforços para revitalização e reconstrução da cultura Pataxó, a valorização dos costumes, dos valores morais e a preservação dos costumes tradicionais.
Considerando então, que os Jogos Indígenas Pataxó, se explorado em toda sua potencialidade, poderá contribuir de forma decisiva como um instrumento importante na revitalização dos valores ameaçados de extinção. Pode-se deduzir então, que os Jogos Indígenas Pataxó é bem mais e tendo alguns aspectos básicos dando maior subsidio de pesquisa e desenvolvimento da tradição, fonte de renda, fator difusor da cultura, meio de salvaguardar valores, costumes e técnicas e também um elo dignificante de união, trabalho, respeito e cultura.
Modalidades e Regras
CORRIDA COM TORA
A corrida com tora representa as histórias contada pelos mais velhos sobre o casamento pataxó. Atualmente há um esforço para que este costume volte a ser realizado nas aldeias Pataxó, no entanto as aldeias em que fazem anualmente a celebração do casamento Pataxó são as Aldeias Pataxó do Estado de Minas Gerais que celebram em outubro durante a “Festa das Águas” e o Aragwaksã na Aldeia Pataxó da Jaqueira na Bahia que celebra no dia 1º de agosto (Festa que comemora o aniversário de criação da Aldeia Pataxó da Jaqueira). A Corrida com Tora representa de forma simbólica a tradição de carregar uma pedra ou tora de madeira com o peso equivalente ao da noiva diante da comunidade como forma de demonstrar que estar apto para sustentar uma família. O casamento tradicional é realizado pelo cacique junto com outros líderes e em alguns casos com a presença de representantes da FUNAI que fazem a parte jurídica do casamento.
A tora foi inserida nos Jogos Indígenas Pataxó também por influência dos Jogos dos Povos Indígenas que tem essa modalidade praticada por várias etnias, a exemplo do Povo Xavante, Xerente, Kanela, dentre outros. Até a oitava edição dos Jogos a corrida de tora integrava apenas as modalidades demonstrativas. A partir da nona edição, no entanto, ela passou a fazer parte da competição. Para tanto as toras foram padronizadas – 80 cm de comprimento com 50 cm de diâmetro. A tora é colocada então sobre os ombros do corredor e conduzida individualmente com grande velocidade. Os outros integrantes da equipe podem auxiliar o corredor no equilíbrio da tora sobre o mesmo. A passagem é dinâmica e o condutor da tora realiza um giro colocando-a sobre o ombro do companheiro. A equipe de cada etnia é formada por 12 corredores e três reservas. (Modalidades disputadas nos Jogos dos Povos Indígenas, Comitê Intertribal).
Esse rito representa um importante aspecto da cultura Pataxó foi adaptada aos jogos como forma de atividade esportiva, onde cada equipe é representada por dois atletas que fazem um percurso de cerca de 200 metros com revezamento de 100x100m com uma tora de madeira de aproximadamente 60 kg, a colocação é definida pela equipe que fizer o percurso em menor tempo.
As regras da Corrida com Tora Pataxó são:
- Todos os atletas devem correr com trajes típicos (Tanga e cocar);
- Não é permitido correr sem tanga (Vestimenta Pataxó);
- Os colares e adornos que atrapalhem na condução da tora podem ser retirados;
- Caso a tora caia o outro atleta pode ajudar seu companheiro para continuar a corrida.

ARREMESSO DE TAKAPE
Arremesso de Takape ou lança: em função de haver muita diferença no material das lanças, o comitê organizador dos Jogos achou por bem padronizar o instrumento e as lanças são então fornecidas pela comissão técnica. Cada etnia pode inscrever apenas um atleta e cada atleta tem direito a três lançamentos. Ganha o participante que fizer o lançamento mais distante. (Modalidades disputadas nos Jogos dos Povos Indígenas, Comitê Intertribal).
Antigo instrumento usado para caçar e guerrear, espécie de lança/clava de madeira e ponta de osso, o material mais usado para confeccionar o takape é o Pati, palmeira muito comum na Mata Atlântica. Em várias etnias é comum o uso do takape tanto para caçar quanto guerrear, hoje este importante instrumento já não tem o mesmo propósito, embora os atletas arremessem com grande desenvoltura, usando a mesma técnica desenvolvida há muitas gerações e que hoje é relembrada sendo, uma das modalidades que gera uma grande expectativa de quem fará o maior arremesso. Nos jogos cada equipe escolhe um representante para fazer três arremessos, fica definido o ganhador que fizer o melhor arremesso.
Atualmente, os Pataxó são detentores de 04 títulos nacionais dos Jogos dos Povos Indígenas, sendo Raoni Pataxó bicampeão da Aldeia Barra Velha e Aelson Pataxó bicampeão da Aldeia Pataxó de Coroa Vermelha e o atual campeão Mundial dos Jogos Mundiais Indígenas nesta modalidade é Itaguari Pataxó da Aldeia Barra velha.
Tendo como regras:
- Não é permitido o uso de takape de outras etnias;
- O atleta tem que estar usando trajes típicos;
- O arremesso não pode ser feito depois da linha estabelecida, caso o atleta ultrapasse essa linha seu arremesso é desconsiderado;
- Cada Atleta tem direito a fazer três arremessos;
- Ganha quem arremessar mais longe.
Na 1ª Edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas sugerimos ao atual Bicampeão de arremesso de takape, o Raoni Pataxó para que ele treinasse um jovem Pataxó para representar a etnia durante o mundial, o que acabou surtindo um grande feito, pois seu aluno Itaguari Pataxó foi ao mundial e se consagrou como campeão mundial de arremesso de takape e hoje é cotado para representar o povo Pataxó no 2º Mundial dos Povos Indígenas que será possivelmente realizado na Colômbia, ainda sem data definida.

ZARABATANA
“Zarabatana é uma arma artesanal, semelhante a um cano longo, com aproximadamente 2,5 m de comprimento, feito de madeira, com um orifício onde se introduz uma pequena seta, de aproximadamente 15 cm. É uma arma muito utilizada pelos índios amazônicos para caçar animais e aves, por ser silenciosa e precisa. Os povos Matís, Zuruahas e Kokamas a utilizam.
Os Matis e Zuruahas têm pouco contato com os não índios, sendo que o primeiro contato aconteceu em menos de 20 anos. Eles habitam a região do Vale do Javari, fronteira com Peru e Colômbia, no Amazonas, e também são conhecidos como os “Caras de onça”, por usarem adereços faciais inspirados nesse animal”.
A zarabatanaé uma prova individual onde o participante se posiciona a 20 ou 30 metros do alvo – normalmente uma melancia pendurada em um tripé. O objetivo é atingir o alvo o maior número de vezes. A zarabatana é uma arma artesanal parecida com um cano de aproximadamente 2,5 metros de comprimento. No orifício do cano (de madeira) se introduz uma pequena seta de 10 a 15 centímetros. Os índios usam bastante a zarabatana para caçar aves já que ela é silenciosa e precisa. (Modalidades disputadas nos Jogos dos Povos Indígenas, Comitê Intertribal).
Instrumento de sopro usado para caçar animais de porte médio e também para defesa das aldeias, dependendo da etnia ele sofre algumas alterações de tamanho e matéria-prima utilizada. No caso do Povo Pataxó é confeccionado com bambu ou taboca e enfeitado com penas, são usadas pequenas setas de madeira e pena em alguns casos com veneno, que serve para imobilizar a caça.
Nos jogos cada equipe escolhe dois representantes, sendo um homem e uma mulher para competirem. É colocado um alvo com distância diferentes para homens e mulheres, no alvo é desenhado uma figura de animal com partes que definem a pontuação, ganha quem fizer a maior pontuação.
Regras:
- Não é permitido usar zarabatana de outras etnias;
- Respeitar a distância estabelecida.

PATIW MIWKA’AY
Patiw Miwka’ay passou de uma brincadeira antiga para uma modalidade bastante disputada. Nas aldeias essa brincadeira é realizada após cada pescaria, onde os parentes apostam entre si parte do pescado, quem consegui arrastar a perna do outro para derrubar ou encostar o pé num tronco de bananeira ou madeira ganha a aposta, isso acontece também antes do banho nos rios como forma de aquecimento nos dias mais frios.
Depois de várias adaptações o Patiw Miwka’ay foi inserido aos jogos, cada equipe deve ter um representante para a luta, os atletas lutam entre si em eliminatórias até se chegar ao grande guerreiro da luta corporal Pataxó.
A luta é realizada em um círculo e os competidores terão três chances para derrubar um pequeno tronco de madeira ou bananeira.
Regras:
- O atleta tem que estar usando trajes típicos;
- O lutador só poderá pegar o oponente da cintura pra baixo;
- Não é permitido o uso de produtos que tenham a finalidade de deixar o corpo escorregadio;
- Os atletas devem estar com as unhas cortadas para evitar acidentes;
- Não usar brincos, pulseiras e ou outros assessórios de metal ou que possam arranhar ou perfurar;
- O atleta não pode ter atitudes agressivas usando de artifícios desleais como cabeçadas, atingir os olhos, falar palavrões;
- Não pode segurar o oponente pelo pescoço;
- Parar a luta sempre que ouvir o Maraká ou quando o juiz pedir;
- Quando o oponente cair soltar para que não haja acidentes;
- Qualquer atitude suspeita o atleta é desclassificado;
- Respeitar a decisão do juiz no término de cada luta;
- Respeitar o tempo de cada luta.
“As lutas corporais são realizadas por homens e mulheres e o esporte está inserido na cultura tradicional dos povos que o praticam: os povos indígenas Xinguanos, Bakairis os Huka Hukas e os Xavantes, de Mato Grosso. Os Gaviões Kyikatêjê/Parakatêyes, do Pará, praticam o Aipenkuit, e os Karajás praticam o Idjassú. Esse esporte foi inserido nos Jogos desde a primeira edição, como apresentação. O desejo de se realizar uma competição de lutas corporais nos Jogos é grande, mas é muito improvável devido à grande diversidade de estilos de luta e técnica. Algumas etnias lutam em pé, outras ajoelhadas no chão, como o Huka Huka. Por isso, fazem-se apenas demonstrações das lutas existentes na cultura indígena brasileira”.

CORRIDA COM MARAKÁ
O Maraká (chocalho) é um instrumento usado em festas e rituais. A corrida com Maraká é uma das modalidades que emocionam pela forma divertida. Consiste numa corrida de revezamento composta por no mínimo oito atletas, onde cada um percorre uma distancia de 200m, sendo 100m de ida e 100m de volta. Ao retornar o atleta passa o maraká para seu companheiro de equipe que também fará o mesmo percurso. Ganha a equipe que fizer o menor tempo.
Regras:
- Não é permitido correr sem os trajes típicos;
- Não é permitido correr sem o Maraká;
- As equipes têm que ser formadas com o mesmo número de atletas;
- O atleta não pode correr duas vezes, deixando outro atleta da mesma equipe sem correr;
- O Maraká não pode ter uma corda amarrada ao pulso do atleta;
- O atleta tem que fazer todo o percurso estabelecido;
- Não é permitido correr usando algum tipo de calçado;
- Não é permitido atrapalhar o outro corredor.

CORRIDA RÚSTICA
A corrida foi inserida nos jogos por ter muito a ver com o dia a dia das aldeias onde crianças, jovens e adultos praticam de forma involuntária, seja correndo pra escola, nas brincadeiras ou em atividades escolares.
O percurso realizado nos jogos não é muito grande para não causar o desgaste nos atletas, pois a intenção não é competitiva e sim uma forma de agregação e celebração entre os participantes.
A corrida Rústica tem uma distância máxima de dois quilômetros, para os homens e um quilometro para as mulheres, cada equipe é representada por dois atletas que devem correr usando os trajes típicos, nesta modalidade ganha os atletas que chegarem primeiro.
Regras:
- Todos os atletas devem estar com trajes típicos;
- Não permitido correr sem tanga;
- O atleta tem que fazer o percurso completo;
- Só poderão correr os atletas que estiverem inscritos para esta atividade;
- O atleta não pode atrapalhar o outro.
Os índios sempre se interessaram em trabalhar seu preparo físico. Com isso, tornam-se verdadeiros competidores, adaptando-se e aprendendo, com a natureza, a caçar e pescar, percorrendo grandes distâncias, atravessando lagos e rios em busca de alimento. O exercício físico é parte do dia a dia das aldeias. Tradicionalmente, a tribo Gavião Kiykatêjê, pratica o Akô (corrida de varinha), em que duas equipes de atletas realizam a corrida de velocidade em círculo, em revezamento de quatro, cujo bastão é uma varinha de bambu.

NATAÇÃO
A natação foi naturalmente inserida nas atividades esportivas dos jogos pela facilidade dos atletas na natação. Nesta modalidade um representante de cada equipe nadará aproximadamente 300m de distância. Nos jogos Pataxó normalmente essa atividade é feita no mar e com um percurso pequeno zelando pela segurança dos atletas, pois como muitas aldeias Pataxó são afastadas da praia alguns indígenas sentem o desgaste da natação no mar, mesmo assim todas as aldeias colocam atletas nesta modalidade.
Regras:
- Todos os atletas devem estar participando dos Jogos;
- As equipes devem escolher seus atletas e certifica-se de que o atleta esteja em boas condições para nadar;
- A equipe poderá desistir da natação se não houver atleta.
ARCO E FLECHA
Artefato feito de madeira, o arco e a flecha é a arma mais potente e de maior alcance podendo atingir um alvo a mais de 150m, muito utilizado como arma de guerra e de caça, os arcos medem acima de 1,60m e são usadas flechas com ponta de osso, esporão de Raia e madeira, pode ser utilizado nodoa de bananeira e ou limo de uma espécie de sapo como veneno, cada guerreiro tem o seu próprio arco e dependendo da etnia ele muda de tamanho e de matéria-prima utilizada (Ipê, Pati, pau-d’arco, fibra de embira e dentre outros).
Ser bom de arco e flecha e uma forma de demonstrar para sua comunidade que tem condições de sustentar a sua família na caçada e na defesa.
Povo guerreiro e eximiu caçador, o Pataxó se aperfeiçoou na técnica do arco e flecha. Cotam os antigos que um bom arqueiro podia arremessar uma flecha para o alto e apará-la entre os dedos dos pés. Embora hoje já não se faça o uso do arco e flecha para caçar ou guerrear essa tradição é mantida nos jogos como forma de manter viva a cultura dos arqueiros.
As equipes escolhem dois atletas, sendo um homem e uma mulher para competir. O alvo fica a aproximadamente 50m de distância para os homens e 25m para as mulheres, cada atleta atira três flechas buscando atingir a parte do desenho de um animal quem tem a maior pontuação. A pontuação será pelo local que a flecha acertar, o círculo maior 50 pontos, o médio 100 pontos e o pequeno 200 pontos.
Regras:
- Não é permitido o uso de arco ou flecha de outras etnias;
- Respeitar a distância estabelecida do alvo;
- Fazer os três disparos;
O povo Pataxó tem um Campeão nacional de arco e flecha, o Tohõ Pataxó da Aldeia Pé do Monte que conquistou este título durante os Jogos dos Povos Indígenas em Porto Nacional/TO. Atualmente Tohô tem se dedicado à realização de campeonatos de arco e flecha em sua aldeia.

CABO DE GUERRA OU CABO DE FORÇA
O cabo de guerra é uma das atividades esportivas que representa o espírito de equipe que os atletas devem ter durante o evento, esta competição é muito concorrida e deve ser composta por no mínimo oito atletas e pode ser realizada tanto por homens quanto por mulheres. A competição consiste em medir forças, a equipe que puxar a outra além do marco ou permanecer mais tempo com o adversário em seu campo será a vencedora. É uma das modalidades que mais exige condicionamento físico dos atletas e que muitas vezes acabam desmaiando devido ao grande esforço feito para puxar a corda.
Regras:
- Todos os atletas devem usar os trajes típicos;
- As equipes devem ter o mesmo número de atletas;
- Não é permitido o revezamento de atletas durante o cabo de guerra;
- Não é permitido o uso de artifícios ilícitos que possam gerar vantagens para equipe;
- Um representante da equipe pode incentivar sua equipe com palavras de motivação;
- Não é permitido falar palavrões;
- O tempo mínimo de competição é de três minutos.
Modalidade praticada para medir a força física, o cabo de guerra é muito aceito entre as etnias participantes de todas as edições dos Jogos, como atrativo emocionante, que arranca manifestação da torcida indígena e do público em geral. Permite a demonstração do conjunto de força física e técnica que cada equipe possui. É uma das provas mais esperadas pelos atletas, pois muitas equipes treinam intensamente em suas aldeias, puxando grandes troncos de árvores. Isso porque, para os indígenas, a força física é de suma importância, dando o caráter de destaque e reconhecimento entre todos. Na preparação de seus guerreiros, os índios sempre procuraram meios de desenvolver e medir a coragem e os limites de sua capacidade na força física.

CANOAGEM
A canoagem está presente no dia a dia das aldeias próximas à praia e é usada para o sustento das famílias de pescadores que se aventuram nos rios e mares, nas aldeias há uma diversificação dos hábitos culturais dependendo da região em que se encontram, muitos vivem do artesanato, de roças e da pesca. É aí que entra a canoagem, na pescaria, alguns vendem seus pescados nas aldeias ou em cidades vizinhas, nas aldeias há a troca do pescado por farinha, aipim, abóbora, artesanato e outros produtos.
Na canoagem cada equipe deverá ter um representante, no qual farão um percurso de 200m no mar, remando em uma canoa, caso não haja canoas do mesmo tamanho usa-se caiaques. As equipes são divididas por baterias, cada bateria faz o trajeto e quem fizer o menor tempo se classifica para próxima fase, ao final disputam uma bateria para definir os melhores colocados.
Regras:
- Nesta modalidade não é obrigatório o uso dos trajes típicos;
- As canoas e ou caiaques devem ser do mesmo tamanho;
- Uma equipe não pode atrapalhar a outra;
- O atleta tem que fazer todo o percurso estabelecido.

FUTEBOL
O futebol (masculino e feminino) foi inserido nos jogos de forma espontânea, pois sendo um esporte popular no País e bastante praticado nas aldeias, teve sua inserção como forma de integração entre as equipes.
As equipes devem ser formadas por dez atletas, sendo que dois ficarão na reserva e todos os jogadores devem ser inscrito antes de cada partida.
As equipes jogarão entre si através de sorteio, cada jogo terá a duração de 25 minutos, cada tempo, se houver muitas equipes o tempo de jogo será menor e as regras serão as do futebol, sendo que os atletas devem usar os trajes típicos.
Regras:
- As regras são comuns às do futebol;
- Não é permitido jogar sem os trajes típicos;
- Só poderá jogar os atletas que estiverem inscritos e participando dos jogos;
- Não é permitido o uso de bebidas ou drogas ilícitas.
Conforme as tradições culturais desportivas dos povos indígenas no Brasil, há informações de que etnias que desapareceram, praticavam o jogo de bola com os pés. Podemos citar os indígenas habitantes do Alto Xingu-MT, que praticam um esporte, chamado Katulaiwa, semelhante ao futebol, em que a bola é chutada usando somente os joelhos e a regra se assemelha ao do futebol – do mesmo modo, os Pareci, com o “futebol de cabeça”, o Xikunahity. Daí, se considerar que há uma relação tradicional entre os povos indígenas e o esporte com bola.
Texto Karkaju Pataxó.

